DIA 23 DE OUTUBRO DE 2018

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. A verdade eleitoral: ‘É o desemprego, estúpido!’

2. PIB cresce 1,6% no trimestre encerrado em agosto

3. ESPECIAL-O esquadrão de militares da reserva por trás de Bolsonaro

4. Haddad diz que Brasil está fazendo de conta que não sabe quem é Bolsonaro

5. Proposta de Bolsonaro de unir Fazenda e Planejamento revive lembrança amarga, mas tem simpatia de técnicos

6. Haddad chama general Mourão de torturador e diz ter medo de um governo Bolsonaro

7. Emprego precisaria de 7 anos para voltar a 2014

8. Haddad não descarta conflito armado entre Brasil e Venezuela caso Bolsonaro seja eleito

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 A verdade eleitoral: ‘É o desemprego, estúpido!’ 

23/10/2018
J. Carlos de Assis - Economista e jornalista.
Monitor Mercantil

Não existe um fenômeno Bolsonaro. Existe, sim, uma situação de mal-estar difundido na sociedade, sobretudo nas classes pobres, devido à situação de depressão da economia e, principalmente, de alto desemprego e subemprego. A posição de Bolsonaro no primeiro turno é a expressão da omissão das elites dirigentes, dentre elas o PT, em face da crise social sem precedentes que está sendo experimentada pelo país desde 2015.

As elites cultas não compreendem porque a crise de desemprego passou ao largo do Governo Temer e acertou em cheio o PT, a partir de 2015, quando o PT já tinha sido deposto do governo junto com Dilma. A razão é simples: as massas não distinguem as cores das elites dirigentes. O PT foi governo durante tanto tempo que o povo o associa inexoravelmente às forças que estão no poder, mesmo que em situação de oposição, como é o caso.

Temos uma taxa de desemprego da ordem de 27%, neste caso quando se considera também o subemprego. É mais de um quarto da população economicamente ativa. Um quarto da população ativa desempregada foi o número mágico que desencadeou o nazismo na Alemanha e, no caso oposto, o New Deal dos Estados Unidos. Portanto, nossa escolha não é entre Bolsonaro e Haddad. É entre o nazismo e um ambicioso programa de pleno emprego.

Amigos meus, pessimistas, acham que a situação favorável a Bolsonaro evoluiu de tal forma que se tornou irreversível. É um engano. Tudo depende de Haddad. Ele tem muito mais credibilidade que Bolsonaro para inverter o quadro a seu favor lançando um programa de credibilidade para o resgate do emprego no Brasil. Claro. Se mantiver uma campanha convencional, de promessas longínquas, será derrotado. Mas isso não está escrito.

Uma frase solta na campanha de Clinton rodou o mundo como expressão de acuidade eleitoral: “É a economia, estúpido”. Aqui não é diretamente a economia. É o desemprego. A economia entra indiretamente como fator de desemprego, mas não é, em si mesma, um fator de mobilização de massas nos estratos sociais mais baixos que não fazem associação entre depressão ou recessão econômica e sua condição individual de desempregado.

Se a linguagem econômica fosse suficiente, candidatos como Lindbergh Farias, um gigante na luta contra a degradação da economia brasileira, não teria perdido a eleição. Além disso, ele pertence ao comando difuso do Estado vindo do tempo em que o PT era poder. Isso também prejudicou o mais destacado crítico da política econômica de Temer, Roberto Requião, associado equivocadamente na cabeça do povo ao sistema de poder vigente.

A pergunta que o povo se fez nessa eleição, antes de votar, foi simples: se a democracia provoca um desemprego tão grande, por que não experimentar o nazismo? Do ponto de vista prático, é quase irrespondível. Ou é respondível de uma única maneira: oferecendo ao povo, com sinceridade, um programa real de promoção do pleno emprego, ou de desemprego zero, o que está perfeitamente dentro das possibilidades do país.

O fator que favorece Haddad é que ele pode dar essa virada com credibilidade em favor de um grande programa de expansão do emprego, enquanto Bolsonaro já queimou suas caravelas entregando antecipadamente a economia a um neoliberal radical que só pensa em privatizar empresas, indiferente à questão do emprego. Eleições se mudam em 24 horas. Há tempo para Haddad convencer o povo de que fará uma política de desemprego zero. Basta sinalizar a sua assessoria: “É o desemprego, estúpido!”

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 PIB cresce 1,6% no trimestre encerrado em agosto 

23/10/2018
Monitor Mercantil

Dados do Monitor PIB, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, teve um crescimento de 1,6% no trimestre encerrado em agosto deste ano, na comparação com o trimestre finalizado em maio.

Na comparação com o trimestre que terminou em agosto de 2017, o crescimento foi de 1,9%, segundo a FGV. Considerando-se apenas agosto, houve altas de 0,2% na comparação com julho deste ano e de 1,9% em relação a agosto do ano passado.

A alta de 1,6% do trimestre fechado em agosto em relação a maio foi acompanhada pelos três grandes setores produtivos: serviços (1,1%), indústria (2%) e agropecuária (2,5%).

Entre os segmentos da indústria, foi observada expansão na indústria da transformação (3,1%) e na construção (1,2%). O setor de eletricidade manteve-se estável e a indústria extrativa mineral recuou 1,2%.

Entre os serviços, todos os segmentos tiveram alta, com destaque para os transportes (5,4%) e o comércio (2,9%).

Sob a ótica da demanda, foram registradas altas de 1,2% no consumo das famílias, 1,1% na formação bruta de capital fixo (investimentos) e de 0,6% no consumo do governo.

No setor externo, as exportações cresceram 1,3% e as importações, 3,7%.

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 ESPECIAL-O esquadrão de militares da reserva por trás de Bolsonaro

23/10/2018
Brad Brooks e Anthony Boadle
Reuters

O homem que provavelmente será o próximo ministro da Defesa do Brasil recebeu dois repórteres diante da porta, e depois os dispensou educadamente.

“Peço desculpas”, disse ele antes de voltar a um salão de conferências lotado de um hotel de Brasília. “Sob ordens do Bolsonaro, é silêncio de rádio total até depois das eleições.”

A figura grisalha e aristocrática de 70 anos era Augusto Heleno Ribeiro Pereira, general de quatro estrelas da reserva do Exército. Em breve o mundo poderá ouvir muito mais de Heleno e de uma série de militares de alta patente da reserva que poderão ajudar a conduzir a quarta maior democracia do mundo. Sua ascensão tem deixado muitos brasileiros temerosos dos dias em que as Forças Armadas davam as cartas no país.

Heleno é o decano de um pequeno grupo de generais da reserva que orquestraram discretamente o crescimento do candidato presidencial Jair Bolsonaro (PSL), favorito nas pesquisas para vencer o segundo turno no domingo diante do petista Fernando Haddad. Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército de extrema-direita combativo, prometeu reprimir o crime, acabar com a corrupção e varrer tudo que se colocar em seu caminho.

A maior parte de seu círculo íntimo manteve laços estreitos com a atual liderança militar —por exemplo Hamilton Mourão, general de quatro estrelas e vice na chapa de Bolsonaro que passou para a reserva em fevereiro.

De forma geral, militares de alto escalão vêm mantendo distância da política desde o final da ditadura em 1985, mas os níveis alarmantes dos crimes nas ruas e a corrupção enraizada no governo deram a líderes militares a coragem de se envolver no processo eleitoral.

Enquanto alguns brasileiros se preocupam com o que veem como uma intromissão dos militares em um espaço civil sagrado, outros acolhem a mudança.

“Há uma espécie de conscientização de que os militares são capazes de colocar ordem na casa”, disse Heleno em entrevista em maio deste ano. “Mas (as Forças Armadas) têm plena consciência de que esse (intervenção) não é o caminho. O caminho são as eleições.”

Durante mais de um ano, Heleno e cerca de uma dúzia de outros generais da reserva e acadêmicos conservadores, conhecidos como o Grupo de Brasília, se reuniram semanalmente em um salão de conferências sem identificação do Brasília Imperial Hotel, que fica cerca de 3 quilômetros a oeste do palácio presidencial.

Ao redor de uma mesa negra repleta de canecas de café de porcelana manchadas e rodeada por 14 cadeiras cor de vinho, eles elaboraram estratégias e tentaram aparar as arestas de Bolsonaro, candidato conhecido por seus rompantes homofóbicos, misóginos e racistas.

Em entrevistas recentes à Reuters, membros do Grupo de Brasília passaram ao largo de minúcias a respeito de como um possível governo Bolsonaro atuará.

Ao invés disso, eles voltaram com insistência ao tema da lei e da ordem. Quase 64 mil pessoas foram assassinadas no Brasil no ano passado, a maior cifra do mundo, e a nação está lutando para se livrar do rescaldo de um escândalo de corrupção épico que implicou as esferas mais altas do governo e do empresariado.

Muitos brasileiros estão empolgados com a perspectiva de ver Bolsonaro mostrando pulso firme. Ele recebeu mais de 49 milhões de votos no primeiro turno de 7 de outubro, perto da maioria que o teria poupado de um confronto direto com Haddad.

“Não tenho medo de militares no governo, não. Acha que estou preocupado com militares? A criminalidade no Brasil é muito grande. Ter os militares no controle seria uma boa opção, para ter mais segurança. Eu acharia até bom, seria tranquilo”, disse Kenyson Santos, de 24 anos, que trabalha no comércio varejista da capital do país.

Mas muitos outros estão alarmados com o possível retrocesso para um controle autoritário, mesmo que venha pelas urnas, e não com tanques nas ruas.

Michael Albertus, cientista político da Universidade de Chicago cuja pesquisa se concentrou na transição brasileira da ditadura para a democracia, disse que o país “está em um momento perigoso”.

“O governo (Bolsonaro) daria aos militares carta branca para fazer todo tipo de coisas”, disse Albertus. “Eles serão muito mais poderosos do que nunca desde que o Brasil fez a transição para uma democracia.”

ORDEM E PROGRESSO?
Bolsonaro serviu no Congresso durante três décadas sem grande destaque. Repudiado com frequência por ser visto como um implicante, ele elogiou muitas vezes a ditadura militar.

Mas acontecimentos explosivos dos últimos cinco anos abriram caminho para sua ascensão.

Em 2013 milhões de pessoas foram às ruas em uma série de manifestações em grande parte espontâneos para protestarem contra os impostos altos, a má qualidade dos serviços públicos e a classe política corrupta responsável por essa realidade.

Uma eleição presidencial tumultuada no ano seguinte dividiu o Brasil. A presidente Dilma Rousseff se reelegeu derrotando Aécio Neves, e dois anos mais tarde sofreu um impeachment, sendo afastada do cargo por manipular as contas públicas. Ela e seus apoiadores denunciaram um golpe. Enquanto isso a operação Lava Jato apanhou dezenas de líderes empresariais e políticos, e uma recessão cruel tomou conta da economia.

Em meio ao caos resultante, Bolsonaro, isento de acusações de corrupção, viu uma oportunidade de se posicionar como um candidato limpo capaz de governar o Brasil com uma disciplina rígida, segundo integrantes do Grupo de Brasília.

Bolsonaro procurou primeiro Oswaldo Ferreira, general de quatro estrelas da reserva do Exército e ex-comandante do corpo de engenharia da corporação. Os dois homens treinaram juntos décadas antes na Academia Militar das Agulhas Negras.

Ferreira, por sua vez, recrutou Heleno, seu mentor militar, que em 2004 ajudou a reprimir gangues de criminosos no Haiti como primeiro comandante de uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). A partir daí sua rede se ampliou.

Bolsonaro não é o único ex-militar se aventurando na política. Um de seus confidentes, o general da reserva Paulo Chagas, disse que também se animou a concorrer a um cargo público por medo de ver o Brasil desmoronar —mas não triunfou na eleição para governador de Brasília.

Mesmo assim ele prevê a vitória de Bolsonaro, e muito sofrimento à frente para delinquentes e políticos corruptos.

Bolsonaro defende mais liberdade para a polícia atirar em supostos criminosos e quer que os militares ajudem a expurgar as gangues de traficantes que controlam as favelas das maiores cidades do país.

O general falou que, ao contrário da época do regime militar, onde as pessoas podiam ir à praia e não havia arrastão, hoje Brasil é “o país da impunidade”, onde deliquentes são soltos.

Para ele, a esquerda tentou demonizar o regime militar, e os jovens que não viveram essa época pensam que “a volta dos militares, seja por que meio for, é uma volta do terror de Estado”.

“Mas o terror de Estado é contra os bandidos e não contra a sociedade. Hoje quem tem que viver apavorado são os bandidos,” disse Chagas.

Políticos corruptos também estão na alça de mira.

“Com certeza a maior pavor dessa gente é o Bolsonaro assumir o país e fazer uma investigação rigorosa para descobrir as entranhas da corrupção e muito mais gente... vai ter que prestar contas ao país pelo mal que causou”, disse Chagas.

Ele acusou o PT de quebrar a Petrobras e acumular dinheiro em contas fora do país com projetos como o porto de Mariel em Cuba, onde “se gastou muito mais do que custou.”

O discurso duro já está causando arrepios.

Mais de uma dúzia de autoridades do governo e membros de grupos da sociedade civil que conversaram com a Reuters disseram estar ouvindo ecos da ditadura.

“Eu vivi na ditadura. Dentro de mim, no clima do país, começo a sentir a mesma sensação”, disse um funcionário de alto escalão do Executivo, que não quis ser identificado por medo de represálias de um provável governo Bolsonaro. “É a pior situação possível que eu podia imaginar.”

ORDEM NA CASA
De volta ao Imperial Hotel, dois outros membros do Grupo de Brasília —Ferreira e Aléssio Ribeiro Souto, possível novo ministro da Educação— concordaram em conversar com a Reuters do lado de fora de sua Sala de Guerra.

Vestindo jeans bem passados e camisas de gola engomadas, os homens foram corteses e formais, um contraste acentuado com a gíria coloquial e muitas vezes ofensiva de Bolsonaro.

Eles e outros colegas do grupo têm trabalhado para moderar o candidato intempestivo, aconselhando-o a falar calmamente em entrevistas à imprensa.

Ferreira e Souto enfatizaram que são simples técnicos atuando sob as ordens do presidenciável. Eles disseram que não estão envolvidos no dia a dia das operações de campanha, mas em determinar como executar a visão estratégica que estão moldando se ele se eleger.

Ferreira, que foi para a reserva em 2017, passou a carreira construindo estradas e pontes para o Exército, principalmente na Floresta Amazônica, abrindo-a para o desenvolvimento. Ele afirma que uma prioridade de uma eventual gestão Bolsonaro seria terminar centenas de projetos que os últimos governos não foram capazes de finalizar.

Souto é um general de três estrelas da reserva que supervisionou o centro de tecnologia do Exército. Ele disse que defenderia que o criacionismo fosse ensinado nas escolas do Brasil ao lado da teoria da evolução, parte do plano de Bolsonaro para reformular o ensino para agradar sua grande base de conservadores religiosos.

Souto também compartilha da visão de Bolsonaro segundo a qual os livros de história do Brasil deveriam classificar o período de 1964 a 1985 como um movimento para combater o comunismo, ao invés de uma ditadura.

Desta vez a mudança virá através dos votos, não de um golpe militar, prometeu Souto.

“Nós acreditamos que o objetivo fundamental do ser humano é a paz e a harmonia. O instrumento da obtenção da paz e harmonia é a democracia. E os fundamentos da democracia são a liberdade, a verdade, a coragem e a ética.”

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 Proposta de Bolsonaro de unir Fazenda e Planejamento revive lembrança amarga, mas tem simpatia de técnicos 

23/10/2018
Marcela Ayres
Reuters

A fusão dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento proposta pelo candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) repete fórmula usada pela última vez pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, mas apesar de suscitar lembranças de uma política econômica que deu errado, é vista com simpatia por parte do atual quadro do governo.

Segundo fonte ouvida pela Reuters, parte do time à frente da economia avalia que colocar principalmente a Secretaria de Orçamento Federal, hoje integrante do Planejamento, sob a aba da Fazenda alinharia a programação orçamentária à financeira, nos moldes do que já é feito em boa parte do mundo.

Levantamento da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) de 2014 mostra que dentre 32 países que integram o grupo somente quatro não têm o Ministério da Fazenda como único responsável pelo Orçamento.

Hoje as despesas federais no Brasil são liberadas pelo Planejamento, mas pagas pela Fazenda, via Tesouro Nacional. Com isso, a Fazenda faz uma espécie de controle de boca do caixa para gastos que muitas vezes não estão afinados com seu objetivo fiscal, mas que já receberam sinal verde de outra pasta.

A avaliação é que esse descasamento gera autorizações orçamentárias altas, mas sem um lastro financeiro efetivo, resultando em elevado volume de restos a pagar. De acordo com o relatório mais recente do Tesouro, com dados até agosto, esse estoque é de 65,5 bilhões de reais no país.

O descompasso se evidencia quando a orientação de um ministério é mais fiscalista, preocupada com o equilíbrio das contas públicas; e a de outro é mais desenvolvimentista, com a visão de que um correto aumento de gastos pode levar a maior crescimento econômico.

O economista Roberto Ellery, da Universidade de Brasília (UnB), lembrou que esse embate ganhou contornos públicos —e mais drásticos— em duas ocasiões: em 1979, no governo Ernesto Geisel, com rusgas entre Mário Henrique Simonsen e Antônio Delfim Netto, e em 2015, no governo Dilma Rousseff, com Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

Nas duas vezes, saíram os ministros mais preocupados com o rigor fiscal —Simonsen e Levy—, sendo substituídos em seus postos por ministros que priorizavam o impulso à atividade —Delfim Netto e Barbosa.

“É uma questão mais de gestão. Em termos de finanças públicas, o impacto (da fusão de ministérios) é muito pequeno porque a estrutura continua existindo”, disse Ellery. “Mas a tensão passa a ser mais controlada”, afirmou ele, apontando que os ruídos entre Fazenda e Planejamento são históricos.

Assim como ocorreu no governo Collor, Bolsonaro afirmou em seu programa de governo que a união dos ministérios da área econômica abarcará também o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). A união das áreas vai ao encontro do desejo do guru econômico do candidato, Paulo Guedes, de conferir coesão à política econômica. Guedes já foi indicado por Bolsonaro como seu eventual ministro para a área.

Dentro da campanha do capitão da reserva, o martelo já está batido para a fusão, que para ser efetivada demanda apenas a edição de uma medida provisória. Antes da decisão, contudo, o time econômico do candidato chegou a avaliar que a experiência inspirava cautela, pois tinha sido frustrada com Collor, quando sua então ministra no comando da Economia, Zélia Cardoso de Mello, falhou em combater a hiperinflação com o traumático confisco da poupança.

Uma ala dos colaboradores econômicos de Bolsonaro também ponderou que o Planejamento tem uma estrutura muito pesada, e que levá-lo para a Fazenda poderia sobrecarregar o ministro com questões administrativas e de Recursos Humanos (RH).

Venceu, no entanto, a corrente favorável à unificação, apoiando-se nos argumentos de que a fusão promoverá maior coordenação entre os ministérios e tornará a Fazenda efetivamente responsável pelo Orçamento.

A ideia é repetir o que o governo do presidente Michel Temer fez com a Previdência, que perdeu o status de ministério e foi incorporada à Fazenda como secretaria. O arranjo, na visão do time de Bolsonaro, pavimentou o caminho para a confecção da proposta de reforma da Previdência —mesmo que não tenha sido aprovada no Congresso.

Parte das secretarias existentes no Planejamento e MDIC viraria subsecretaria, enquanto outras seriam extintas para acabar com sobreposições, com consequente eliminação de cargos de confiança, os chamados DAS. Hoje, por exemplo, tanto Fazenda quanto Planejamento contam com Secretarias de Assuntos Internacionais.

Segundo uma fonte do atual governo ouvida pela Reuters, entretanto, a investida colocaria mais de 20 secretarias sob o comando de um único ministro, que teria que administrar questões internas, mas também as inúmeras demandas de parlamentares.

“Para uma só pessoa fica muito inviável”, criticou a fonte, em condição de anonimato.

Outra fonte do governo ouvida pela Reuters reconheceu que mais ministérios ajudam a dar suporte ao governo no Congresso, mas afirmou que quando as pastas têm igual poder em comitês, isso acaba atrapalhando a orientação da política econômica.

“A Camex (Câmara de Comércio Exterior) é exemplo de comitê em que a Fazenda perde por causa dos ministros protecionistas”, disse.

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 Haddad chama general Mourão de torturador e diz ter medo de um governo Bolsonaro

23/10/2018
Lisandra Paraguassu
Reuters

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, em sabatina para o grupo Globo, que sente medo como cidadão de um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL) e de possivelmente ter um vice-presidente da República acusado de tortura, segundo ele, como o companheiro de chapa do capitão da reserva, general Hamilton Mourão.

De acordo com o candidato, o cantor Geraldo Azevedo acusou Mourão de ter sido um de seus torturadores quando foi preso durante a ditadura militar. A acusação do cantor foi feita em um show na Bahia no fim de semana e pode ser vista em vídeos no Youtube. O músico, no entanto, se desculpou posteriormente em nota “pelo equívoco”, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo.

Na sabatina, Haddad afirmou: “Bolsonaro nunca teve nenhuma importância no Exército. Mas o Mourão foi, ele próprio, torturador. O Geraldo Azevedo falou isso. Ver um ditador como eminência parda de uma figura como Bolsonaro deveria causar temor em todos os brasileiros minimamente comprometidos com o Estado Democrático de Direito”.

Questionado sobre a acusação a Mourão, Haddad disse que não tinha motivos para duvidar de Azevedo, e sugeriu aos jornalistas que entrevistassem o músico.

Mourão, general da reserva, tem 65 anos e entrou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1972 e se formou aspirante-a-oficial em dezembro de 1975, aos 22 anos. De acordo com sua biografia, Geraldo Azevedo foi preso duas vezes, em 1969 e em 1974, e torturado.

BURBURINHO
Questionado se havia razões concretas para que as pessoas tivessem medo de um governo Bolsonaro, Haddad afirmou que há “burburinhos” sobre um possível golpe militar, mas que não é possível estimar a real probabilidade disso acontecer.

“Uma minoria do Exército tem essa ambição? Tem. Aeronáutica e Marinha eu acho que não. A gente não sabe o tamanho desse burburinho, o potencial dele. É um risco que a gente não pode correr. Por isso ele (Bolsonaro) não pode ser eleito. Para quê correr o risco?”, disse.

O petista afirmou ainda que não teme o candidato em si, afirmando que Bolsonaro é “um tolo”, mas sim quem está por trás do capitão da reserva.

“O que é líquido e certo é que ele (Bolsonaro) é uma pessoa vazia. Ele não tem uma ideia, ele não vem num debate comigo porque não é capaz de defender uma ideia. É uma coisa constrangedora. Agora, o problema é o que sai do porão com ele, que é o Mourão e outras pessoas”, afirmou.

REDES SOCIAIS
Questionado sobre os erros na condução da campanha, Haddad admitiu que o partido cometeu a falha estratégica de não antecipar o uso das redes sociais para impulsionar conteúdo contra o PT, e citou fala do diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino, de que as notícias falsas disseminadas nas redes tiveram influência direta nas eleições no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

“Acho que cometemos um erro estratégico porque não pensamos que eles iriam usar o WhatsApp para obter financimento ilegal de campanha. Não contei com isso”, disse. “Estamos falando do novo caixa 2. Estão driblando o velho caixa 2 e criando um novo.”

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 Emprego precisaria de 7 anos para voltar a 2014 

23/10/2018
Monitor mercantil

Foram criados 137.336 postos formais de trabalho em setembro. A última vez em que a criação de empregos tinha superado esse nível tinha sido em setembro de 2013, quando as admissões tinham superado as dispensas em 211.068.

A criação de empregos totaliza 719.089 de janeiro a setembro e 459.217 nos últimos 12 meses. Se mantido o ritmo dos últimos 12 meses, seriam necessários sete anos para o Brasil voltar ao nível de 2014, quando o país registrou o recorde de 49,572 milhões de trabalhadores com carteira assinada. No final do ano passado, o Governo Temer viu o número cair para 46,282 milhões.

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

Na divisão por ramos de atividade, sete dos oito setores econômicos criaram empregos formais em setembro. O campeão foi o setor de serviços, com a abertura de 60.961 postos, seguido pela in-dústria de transformação (37.449 postos) e pelo comércio (26.685 postos). A construção civil abriu 12.481 vagas, seguida pelos serviços industriais de utilidade pública (1.091 vagas), administração pública (954) e extrativa mineral (403).

O nível de emprego caiu apenas no setor da agropecuária, que demitiu 2.688 trabalhadores a mais do que contratou no mês passado. Tradicionalmente, setembro registra contratações pela indústria, que começa a produzir para o Natal. Em contrapartida, o mês registra demissões no campo, por causa da entressafra de diversos produtos.

Todas as cinco regiões brasileiras criaram empregos com carteira assinada em setembro. O Nordeste liderou a abertura de vagas, com 62.177 postos, seguido pelo Sudeste (38.933 vagas). Foram abertos 18.063 postos no Sul, 10.262 no Norte e 7.901 no Centro-Oeste.

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  Haddad não descarta conflito armado entre Brasil e Venezuela caso Bolsonaro seja eleito

Maria Clara Pestre
Reuters

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira acreditar que “possa ter algum fundamento” a possibilidade de um conflito armado entre Brasil e Venezuela, caso seu adversário no segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL), seja eleito presidente no próximo domingo.

“Eu recebi um vídeo de um discurso, que precisa ser checado, mas supostamente do filho do Bolsonaro... dizendo que uma das primeiras providências seria derrubar o governo Maduro”, disse Haddad em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, ao ser questionado sobre a possibilidade de um conflito armado entre os dois países.

Haddad não mencionou qual filho do presidenciável do PSL estaria no vídeo citado.

“Eu não sei se esse vídeo, ele teria sido em um discurso na avenida Paulista em que ele teria dito isso. Pela hostilidade que ele manifesta, com relação a esse vizinho em particular, quero crer que possa ter algum fundamento, lembrando que o Brasil está há 140 anos sem conflito com seus vizinhos”, acrescentou o petista.

“Agora, a ideia também de colocar uma base militar americana no Brasil também é fonte de preocupação porque nós não temos essa tradição, montar uma base militar no território brasileiro. O Bolsonaro, e isso eu ouvi, declarou que a Base de Alcântara seria cedida para os americanos. Então há preocupações, pode haver uma escalada armamentista na região.”

Bolsonaro tem repetido na campanha eleitoral que o Brasil pode se transformar em uma Venezuela —que vive uma grave crise político-econômica e humanitária— se o petista ganhar a eleição.

Na entrevista, Haddad disse que o Brasil está fazendo de conta que não sabe quem é Bolsonaro, mas que todos sabem.

O petista avaliou que o volume de notícias falsas diminuiu após reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre suposto pagamento por empresários para envio em massa de mensagens no WhatsApp contra sua candidatura.

Haddad acusou o adversário, no entanto, de agora usar o horário eleitoral gratuito para propagar mentiras.

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  Bolsonaro pede que eleitores "jamais confiem em pesquisas" e não relaxem

18/10/2018
Pedro Fonseca
Reuters

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, que lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto, pediu nesta quinta-feira que os eleitores “jamais confiem” nos levantamentos e não relaxem na reta final da disputa contra Fernando Haddad (PT).

“Jamais confiem em pesquisas! Não relaxemos! Quando não falamos sobre as tais nos criticam e quando falamos fazem o mesmo. Tudo é motivo para tirarem do contexto e tentar induzi-lo para o que lhes interessa! Nossa pesquisa é o sentimento nas ruas! Grato a todos pela consideração!”, escreveu o candidato em mensagem no Twitter.

Bolsonaro lidera o segundo turno da disputa presidencial com 59 por cento dos votos válidos, de acordo com a mais recente pesquisa Ibope, enquanto Haddad aparece com 41 por cento.

Na quarta-feira, em entrevista a jornalistas no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que já está com uma “mão na faixa” presidencial porque Haddad não conseguirá reverter a desvantagem apontada pelas pesquisas até o dia da votação em segundo turno.

“Ele não vai tirar 18 milhões de votos de agora até daqui a dois domingos”, disse Bolsonaro a repórteres após visitar a Superintendência da Polícia Federal no centro da capital fluminense.

Além da publicação sobre as pesquisas eleitorais, Bolsonaro também escreveu mensagem no Twitter na manhã desta quinta-feira contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mentor político de Haddad.

“Brasil: Um povo esgotado de pagar impostos e não ter respostas, dilacerado pelos maiores escândalos de corrupção da história protagonizados pelo partido do líder que continua dando ordens de dentro da cadeia. Transborda no brasileiro o sentimento angustiante de mudança”, disse.

“Sempre dissemos que não existe salvador da pátria, mas graças a união do brasileiro temos a chance real de não virarmos a próxima Venezuela”.



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