DIA 19 DE SETEMBRO DE 2017

 

POLÍTICA E ECONOMIA

1. Temer critica protecionismo e nacionalismo exacerbado em discurso na ONU

 2. Na ONU, Temer fala em redução no desmatamento da Amazônia e que reformas tornarão Brasil 'mais aberto'

3. Raquel Dodge apresenta procuradores que vão atuar na Lava Jato

4. Sem reforma política, eleição será regida pelo Judiciário e pelo crime organizado, diz Vicente Cândido

5. Lula lidera em todos os cenários, mostra pesquisa CNT/MDA

6. Ministros tucanos avisam a Temer que, se um sair, todos sairão

7. China é o destino final de 31,4% das exportações totais do agronegócio até o mês de agosto

8. Bovespa cai após recordes recentes, de olho em política

    

ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:

 Temer critica protecionismo e nacionalismo exacerbado em discurso na ONU 

 

19/09/2017
Lisandra Paraguassu
Reuters

Em um discurso mais centrado em questões internacionais do que nas crises internas, o presidente Michel Temer abriu a 72ª Assembleia Geral da Organização nas Nações Unidas, nesta terça-feira, com críticas ao protecionismo e a “nacionalismos exacerbados” como soluções para as crises mundiais.

“Não é razoável supor que ideias que, no passado, já se mostraram equivocadas possam, agora, render bons frutos. Recusamos os nacionalismos exacerbados. Não acreditamos no protecionismo como saída para as dificuldades econômicas – dificuldades que demandam respostas efetivas para as causas profundas da exclusão social”, disse Temer, o primeiro chefe de Estado a discursar.

Em sua segunda participação na Assembleia Geral, Temer fez uma defesa das reformas econômicas que o país tem passado e tentou apresentar um Brasil que está deixando para trás a recessão e está aberto para o mundo, deixando de lado a defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que norteou parte do discurso feito por ele no ano passado.

“O Brasil atravessa momento de transformações decisivas. Com reformas estruturais, estamos superando uma crise econômica sem precedentes. Estamos resgatando o equilíbrio fiscal. E, com ele, a credibilidade da economia. Voltamos a gerar empregos. Recobramos a capacidade do Estado de levar adiante políticas sociais indispensáveis em um país como o nosso”, disse.

Esse Brasil que está fazendo reformas econômicas, afirmou, é um “país mais aberto ao mundo”.

“É essa atitude de abertura que trazemos à ONU e que levamos ao Mercosul, ao G20, ao Brics, ao Ibas e a todos os foros de que participamos. É essa atitude de abertura que adotamos com cada um de nossos parceiros -- na nossa região e além dela”, disse.

Temer defendeu ainda um “sistema de comércio internacional aberto e baseado em regras” e criticou as barreiras internacionais, especialmente as agrícolas.

Citando a próxima reunião ministerial da OMC, disse que “pendências antigas” terão que ser resolvidas.

“São pendências que prejudicam, sobretudo, países em desenvolvimento. Teremos que avançar no acesso a mercados de bens agrícolas, na eliminação de subsídios à agricultura que distorcem o comércio. Confiamos que, juntos, saberemos produzir resultados”, disse.

VENEZUELA E COREIA DO NORTE

Alvo de mais uma denúncia da Procuradoria-Geral da República, Temer tenta deixar de lado a política interna durante a visita a Nova York. A crise interna do país não foi citada em nenhum momento. Em vez disso, o presidente concentrou sua fala em temas internacionais.

A Venezuela, tema central do jantar na noite anterior com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mereceu um parágrafo. Temer lembrou que o Brasil tem recebido milhares de refugiados do país desde o início da crise venezuelana e criticou o governo de Nicolás Maduro.

“A situação dos direitos humanos na Venezuela continua a deteriorar-se. Estamos ao lado do povo venezuelano, a que nos ligam vínculos fraternais. Na América do Sul, já não há mais espaço para alternativas à democracia. É o que afirmamos no Mercosul, é o que seguiremos defendendo”, disse.

Os testes nucleares da Coreia do Norte também foram tratados por Temer. Uma das maiores preocupações do governo norte-americano, os testes coreanos foram citados também por Trump no jantar da noite desta segunda-feira.

“Os recentes testes nucleares e missilísticos na península coreana constituem grave ameaça, à qual nenhum de nós pode estar indiferente. O Brasil condena, com toda a veemência, esses atos. É urgente definir encaminhamento pacífico para situação cujas consequências são imponderáveis”, disse o presidente.

Temer defendeu ainda, em seu discurso, o acordo de Paris sobre mudanças climáticas, que os Estados Unidos ameaçam abandonar. “Seguiremos empenhados na defesa do Acordo de Paris. Essa é matéria que não comporta adiamentos. Há que agir já”, disse.

Criticado interna e internacionalmente por ceder a lobbies do setor agrícola para flexibilizar regras ambientais, Temer fez questão de citar números ainda preliminares que apontam, segundo ele, um redução de 20 por cento no desmatamamento na Amazônia, depois de números crescentes nos últimos anos. “Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos”, garantiu.

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 Na ONU, Temer fala em redução no desmatamento da Amazônia e que reformas tornarão Brasil 'mais aberto'

 

19/09/2017
G1

O presidente Michel Temer afirmou que houve uma redução de mais de 20% no desmatamento da Amazônia no último ano no discurso de abertura da 72ª assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na manhã desta terça-feira (19), em Nova York.

Ele declarou que o "novo Brasil" que está surgindo das reformas será "mais aberto" ao mundo. Temer também falou sobre a Coreia do Norte, a crise na Venezuela e negociações de paz no Oriente Médio.

"O Brasil orgulha-se de ter a maior cobertura de florestas tropicais do planeta. O desmatamento é questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos. Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos”, declarou. Leia discurso de Temer na íntegra.

A afirmação na ONU acontece após o seu governo ser acusado por organizações não-governamentais e ambientalistas de ceder a interesses comerciais em detrimento do meio ambiente com a publicação do decreto sobre a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) e liberação da exploração mineral em parte da área.

A reserva, entre os estados do Amapá e do Pará, foi criada em 1984 e tem mais de 4 milhões de hectares. A região tem potencial para exploração de ouro e outros minerais, entre os quais ferro, manganês e tântalo. Após as críticas, o governo fez um novo decreto, com algumas mudanças práticas, embora tenha mantido a extinção da reserva e a liberação da exploração mineral em parte da área.

'Novo Brasil'

O presidente brasileiro também destacou as reformas que seu governo está implementando. "O Brasil atravessa momento de transformações decisivas. Com reformas estruturais, estamos superando uma crise econômica sem precedentes. Estamos resgatando o equilíbrio fiscal. E, com ele, a credibilidade da economia. Voltamos a gerar empregos. Recobramos a capacidade do Estado de levar adiante políticas sociais indispensáveis em um país como o nosso", afirmou.

"Aprendemos e estamos aplicando, na prática, esta regra elementar: sem responsabilidade fiscal, a responsabilidade social não passa de discurso vazio. O novo Brasil que está surgindo das reformas é um país mais aberto ao mundo", completou.

Coreia do Norte

Temer afirmou que os recentes testes nucleares da Coreia do Norte constituem uma grave ameaça, "à qual nenhum de nós pode estar indiferente". "É urgente definir encaminhamento pacífico para situação cujas consequências são imponderáveis", observou.

O chefe de estado brasileiro, que tem encontros previstos com o premiê israelense e o Presidente da Autoridade Palestina, ressaltou que Brasil defende a criação de um estado palestino. "Amigo de palestinos e israelenses, o Brasil segue favorecendo a solução de dois Estados convivendo em paz e segurança, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas e mutuamente acordadas."

Venezuela

Temer ainda elogiou a lei brasileira que prevê a acolhida de refugiados. "Temos, hoje, uma das leis de refugiados mais modernas do mundo. Acabamos de modernizar também nossa lei de migração, pautados pelo princípio da acolhida humanitária. Temos concedido vistos humanitários a cidadãos haitianos e sírios".

O presidente, que participou de um jantar com líderes americanos para discutir a questão da Venezuela, destacou que o Brasil tem recebido "milhares de migrantes e refugiados" venezuelanos.

"A situação dos direitos humanos na Venezuela continua a deteriorar-se. Estamos ao lado do povo venezuelano, a que nos ligam vínculos fraternais. Na América do Sul, já não há mais espaço para alternativas à democracia. É o que afirmamos no Mercosul, é o que seguiremos defendendo", afirmou.

Ainda sobre a América Latina, Temer falou da liderança brasileira da missão de paz da ONU no Haiti (Minustah), encerada no início de setembro.

"É crucial reconhecer o nexo entre segurança e desenvolvimento. O reconhecimento desse nexo guiou a participação do Brasil na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti. Nesta hora em que a Minustah encerra seu mandato, a comunidade internacional deve manter o compromisso com o povo haitiano. O Brasil certamente o fará.

Comércio

Temer também defendeu um sistema de "comércio internacional aberto e baseado em regras". No fim de agosto, a Organização Mundial do Comércio (OMC) pediu que o Brasil tire em 90 dias subsídios industriais, após queixas da União Europeia e Japão contra uma série de incentivos do governo a setores da indústria nacional.
A OMC considerou inconsistentes com as regras internacionais sete medidas adotadas em maior parte durante o governo de Dilma e mantidas pelo governo Temer.

Reformas

Temer defendeu a reforma das Nações Unidas e mencionou indiretamente uma antiga reivindicação da política externa brasileira: um lugar no Conselho de Segurança.

"Não por outra razão, sustentamos, ao lado de tantos países, o imperativo de reformar as Nações Unidas. É particularmente necessário ampliar o Conselho de Segurança, para ajustá-lo às realidades do século 21. Urge ouvir o anseio da grande maioria desta Assembleia", disse.

Antes de Temer, se pronunciaram o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, e o presidente da Assembleia Geral, o eslovaco Miroslav Lajcák.

A fala mais esperada era a do presidente dos EUA, Donald Trump, que estreou prometendo que vai "destruir totalmente" a Coreia do Norte, caso não tenha outra escolha. Pouco antes do seu discurso, o embaixador norte-coreano abandonou seu assento na plenária, deixando seu lugar para um diplomata inferior na hierarquia da chancelaria do país.

Após o discurso na ONU, Michel Temer se encontrou com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. Na sua agenda, ainda estão previstas reuniões com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Questão nuclear

Em entrevista com a ONU News, o presidente Temer declarou que a desnuclearização é "uma política de Estado para o Brasil". "O impedimento da utilização de artefatos nucleares para fins não pacíficos" é algo previsto na Constituição brasileira que "estabelece que qualquer questão, qualquer atividade nuclear, só pode ser utilizada para fins pacíficos", declarou o presidente brasileiro.

"Nós estamos dando um exemplo, penso eu, para o mundo", concluiu Temer.

Jantar com Trump

Na noite de segunda-feira (18), Temer e Trump participaram de um jantar em que discutiram a situação da Venezuela. O americano disse que quer que a Venezuela restaure sua democracia e que a situação no país é inadmissível.

O presidente brasileiro afirmou que houve uma "coincidência " de posições de que a pressão diplomática sobre Caracas deve continuar para que se chegue a uma solução democrática.

Outros líderes latino-americanos, como os presidentes de Colômbia e Panamá, também foram convidados ao encontro. Temer afirmou que os países da América Latina e do Caribe querem continuar a pressionar a Venezuela, para ajudá-la, mas disse que não concordam com intervenção externa.

"Eu próprio relatei que recebi o (oposicionista venezuelano) Leopoldo López, tenho mantido os mais variados contatos, recebi a esposa dele, a mãe dele para revelar a posição do Brasil em relação à Venezuela, coisa que não ocorria antes, não é? E houve coincidência absoluta, as pessoas querem que lá se estabeleça a democracia, não querem uma intervenção externa, naturalmente, mas querem manifestações que se ampliem, a dos países que aqui estão para os países da América Latina, para os Países Caribenhos, de maneira a pressionar a solução democrática na Venezuela", disse Temer.

Ausências

Esta edição da Assembleia, no entanto, também terá desfalques relevantes: o russo Vladimir Putin, o chinês Xi Jinping e a alemã Angela Merkel não participam.

Também não estará presente a chanceler birmanesa e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que está às voltas com a crise da minoria muçulmana rohingya.

Tradição na ONU

A tradição de que o Brasil abre a assembleia geral da ONU foi iniciada há 70 anos pelo diplomata brasileiro Oswaldo Aranha.

Temer estreou na ONU, como chefe de estado brasileiro, na abertura da assembleia anterior, em setembro de 2016. Nesta ocasião, o peemedebista defendeu a constitucionalidade do processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência, comentou a crise internacional de refugiados, criticou o protecionismo agrícola e defendeu uma reforma no Conselho de Segurança.

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 Raquel Dodge apresenta procuradores que vão atuar na Lava Jato

 

19/09/2017
Pedro Peduzzi
Agência Brasil

Os primeiros atos publicados no Diário Oficial da União pela nova procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, confirmam os nomes já anunciados anteriormente para sua equipe. Também foram anunciados os nomes dos procuradores que substituirão os que integravam a equipe do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot no caso da Operação Lava Jato.

Dodge já havia informado que o grupo seria coordenado pelo procurador José Alfredo de Paula Silva, e que entre seus membros estariam os procuradores Hebert dos Reis Mesquita, Luana Vargas Macedo e José Ricardo Teixeira Alves. Nas portarias publicadas hoje (19), foram incluídos os nomes dos procuradores José Alfredo de Paula Silva; Marcelo Ribeiro de Oliveira; Maria Clara Barros Noleto; Pedro Jorge do Nascimento Costa; e Raquel Branquinho Pimenta Mamede Nascimento.

Há quatro novos integrantes reforçando a equipe da Lava Jato, além do coordenador. Entre os que já atuavam na investigação, dois permanecerão por tempo indeterminado (Maria Clara Barros Noleto e Pedro Jorge do Nascimento Costa) e cinco pelo prazo de 30 dias (Melina Castro Montoya Flores, Fernando Antonio de Alencar Alves de Oliveira Júnior, Rodrigo Telles de Souza, Sérgio Bruno Cabral Fernandes, e Wilton Queiroz de Lima). De acordo com a PGR, os demais pediram para deixar o grupo “por motivos pessoais”.

O grupo que vai cuidar da Lava Jato ficará vinculado à Secretaria da Função Penal Originária junto ao Supremo Tribunal Federal, tendo como titular Raquel Branquinho, que atuará na condição de substituta eventual do coordenador José Alfredo de Paula Silva. Caberá aos integrantes do grupo participar das audiências relativas à Lava Jato, bem como requisitar informações e documentos de interesse das investigações.

Veja como fica a composição da equipe de trabalho de Raquel Dodge no Ministério Público Federal:

Vice-Procurador Geral da República

Luciano Mariz Maia

Vice-Procurador Geral Eleitoral

Humberto Jacques de Medeiros

Secretária da Função Penal Originária no Supremo Tribunal Federal

Coordenadora:Raquel Branquinho

Membros:

Marcelo Ribeiro Oliveira

Lauro Pinto Cardoso Neto

Secretário da Função Penal Originária no Superior Tribunal de Justiça

Alexandre Espinosa Bravo

Secretário Geral Jurídico da PGR

Alexandre Camanho de Assis

Secretária-Geral do MPU

Zani Cajueiro Tobias de Souza

Secretária de Cooperação Internacional

Cristina Schawnsee Romanó

Secretário da Função Constitucional

Paulo Gustavo Gonet Branco

Secretário de Direitos Humanos e Defesa Coletiva

André de Carvalho Ramos

Secretário de Pesquisa, Análise e Perícias

Pablo Coutinho Barreto

Secretária de Comunicação Social

Dione Aparecida Tiago

Chefe de Gabinete

Mara Elisa Oliveira

Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe)

Coordenador: Sidney Pessoa Madruga

Nova composição - Grupo de Trabalho da Lava Jato

José Alfredo de Paula Silva – Coordenador do Grupo de Trabalho

José Ricardo Teixeira (novo)

Hebert dos Reis Mesquita (novo)

Luana Vargas Macedo(novo)

Fernando Antonio de Alencar Alves de Oliveira Júnior (transição de 30 dias)

Maria Clara Barros Noleto (permanece por tempo indeterminado)

Melina Castro Montoya Flores (transição de 30 dias)

Pedro Jorge do Nascimento Costa (permanece por tempo indeterminado)

Rodrigo Telles de Souza (transição de 30 dias)

Sérgio Bruno Cabral Fernandes (transição de 30 dias)

Wilton Queiroz de Lima (transição de 30 dias)

Raquel Branquinho Pimenta Mamede Nascimento (secretária da Função Penal Originária no STF)

Marcelo Ribeiro Oliveira ( membro da secretaria Função Penal Originária no STF)

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 Sem reforma política, eleição será regida pelo Judiciário e pelo crime organizado, diz Vicente Cândido 

 

19/09/2017
Alessandra Modzeleski
G1

Relator da reforma política acredita que ainda é possível aprovar uma mudança no sistema eleitoral. 'Congresso Nacional não cometerá a irresponsabilidade de não regrar as novas eleições de 2018'.

O relator de propostas de reforma política na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), afirmou nesta terça-feira (19) que a eleição de 2018 "será regida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pela Justiça Eleitoral e pelo crime organizado" se o Congresso não aprovar uma mudança no sistema eleitoral.

Nesta terça, a Câmara tentará votar mais uma vez a reforma política para alterar o sistema eleitoral e criar um fundo para financiar campanhas. Na semana passada, a sessão se arrastou por horas e acabou adiada diante da falta de acordo e da obstrução de partidos que não concordam com a proposta em análise.

Líderes partidários se mostram céticos e apostam que há mais chance de passar uma reforma desidratada, apenas com a cláusula de barreira (ou cláusula de desempenho nas urnas) e o fim das coligações entre os partidos.

Apesar do impasse, Vicente Cândido diz que "como relator, tem sempre a obrigação de ser otimista" e acredita ser ainda possível votar. Caso isso não ocorra, o petista classifica como uma "irresponsabilidade" do Congresso Nacional.

"Eu acho que ainda é possível votar e estou trabalhando com a tese de que o Congresso Nacional não cometerá a irresponsabilidade de não regrar as novas eleições de 2018. Se deixa-lá sobre as regras das atuais legislações, deixaremos eleição regida pelo Supremo Tribunal Federal, pela justiça eleitoral e pelo crime organizado", declarou.

Prazo

Além da falta de consenso, outro fator complicador é o tempo. Os deputados precisam correr se quiserem que as mudanças valham já para as eleições de 2018. Pela legislação eleitoral, elas precisam ser aprovadas um ano antes do pleito, ou seja, até 6 de outubro deste ano.

O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP) defende que devido à falta de tempo, os deputados precisam ser objetivos. Para ele, a proposta de Vicente Cândido será "dificilmente" aprovada. Na última sessão, 216 deputados já votaram contra o principal ponto do projeto, que a é a mudança no sistema eleitoral.

"Eu acho que devemos ser mais objetivos e votar aqueles projetos que têm mais consenso. Por exemplo, o fim das coligações, da cláusula de desempenho, previstas na PEC 282, que teve uma primeira votação com mais de 400 votos favoráveis".

A cláusula de barreira (ou cláusula de desempenho nas urnas) e o fim das coligações entre partidos estão em proposta que pode ser apreciada nesta quarta (20) pelo Plenário da Câmara. O texto-base já foi aprovado em primeiro turno, mas resta a análise de destaques, que podem mudar o teor da matéria.

Busca de consenso

O presidente interino da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), disse que vai se reunir com líderes nesta terça para procurar consenso sobre qual proposta deve ser votada em Plenário. "A gente tem que votar aquilo que está mais acertado", defendeu.

O peemedebista está à frente da Câmara nesta semana, porque o presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ocupa interinamente o posto de presidente da República, enquanto Michel Temer está nos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

"Pelo sentimento da casa, o que tem mais consenso realmente é a PEC da deputada Shéridan (sobre o fim das coligações). Mas o deputado Vicente Cândido acha que consegue reunir alguns líderes para a proposta dele. Vamos ter uma reunião e o que tiver mais consenso vamos tentar votar na noite de hoje", explicou Fábio Ramalho.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) concorda que a Câmara deve apreciar com facilidade a proposta que trata do fim das coligações.

"Ela é item primeiro da pauta, na próxima sessão, e já vai poder ser votada. O detalhe é que há consenso para acabar com as coligações em 2020, não em 2018, como saiu da comissão aqui da Câmara. Isso poderá ser alterado", explicou.

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  Lula lidera em todos os cenários, mostra pesquisa CNT/MDA


19/09/2017
Maria Carolina Marcello
Reuters

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera em todos os cenários de eleição para presidente da República, seja para o primeiro, seja para o segundo turno, apontou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira.

O levantamento aponta ainda uma consolidação do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no segundo lugar das simulações, apontou o presidente da CNT, Clésio Andrade, e um alto índice de rejeição a todos os nomes colocados, o que pode favorecer o surgimento de um nome pouco ligado à política, um “outsider’.

“Um ponto importante nesses dados é que o Lula ganha em todos os cenários, tanto de primeiro quanto de segundo turno, Jair Bolsonaro consolida em segunda posição e a situação muito crítica do Aécio (Neves, do PSDB de Minas), praticamente fora do jogo”, disse o presidente da CNT.

Segundo a pesquisa, Lula é o primeiro colocado na resposta espontânea, com 20,2 por cento dos votos, enquanto Bolsonaro ocupa a segunda posição com 10,9 por cento, seguido do prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), com 2,4 por cento.

O nome da ex-senadora Marina Silva (Rede) foi lembrado por apenas 1,5 por cento dos entrevistados, enquanto o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) por apenas 1,2 por cento cada.

Nas perguntas estimuladas, em que nomes pré-determinados são oferecidos aos entrevistados, Lula também é o que recebe a maior parcela de votos. No primeiro cenário de primeiro turno, Lula teria 32,4 por cento, seguido de Bolsonaro com 19,8 por cento, e de Marina com 12,1.

Aécio aparece em quinto lugar com apenas 3,2 por cento, atrás de Ciro que tem 5,3 por cento. Até um tempo atrás favorito para ser o candidato tucano, o senador mineiro Aécio chegou a ser afastado do mandato em maio por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo, após ser gravado em uma conversa com o empresário Joesley Batista na qual teria pedido 2 milhões de reais para pagar os advogados que fazem sua defesa em inquéritos na Justiça.

O tucano melhor colocado nas pesquisas é Doria, que angaria 9,4 por cento dos votos na quarta colocação em um cenário de primeiro turno que traz Lula na liderança com 32,7 por cento, Bolsonaro em segundo com 18,4 e Marina com 12 por cento.

No cenário em que o candidato do PSDB é Alckmin, o governador paulista também fica em quarto lugar, com 8,7 por cento dos votos. Com 32 por cento, Lula lidera, seguido de Bolsonaro, com 19,4 por cento, e de Marina com 11,4 por cento.

Nas simulações de segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 40,5 a 28,5 por cento; Doria, por 41,6 a 25,2 por cento; Alckmin por 40,6 a 23,2 por cento e Aécio por 41,8 contra 14,8 por cento.

A liderança de Lula na pesquisa se dá mesmo após o ex-presidente ter sido condenado em julho pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva no caso envolvendo um tríplex no litoral paulista.

Ocorre também depois de o ex-ministro Antonio Palocci ter acusado Lula, no início do mês, de ter se beneficiado diretamente de propinas da Odebrecht. O ex-presidente diz que é inocente de qualquer ilegalidade.

REJEIÇÃO

O diretor executivo do Instituto MDA, Marcelo Souza, atenta para o fato de que a pesquisa apresenta não só um índice elevado de brancos e nulos, como também aponta um alto nível de rejeição ao políticos.

“É uma rejeição bem forte com relação à classe política”, disse Souza.

Na mesma linha, Clésio argumenta que todos os nomes colocados apresentam rejeição pessoal acima dos 40 por cento, patamar considerado complicado para uma eventual disputa de segundo turno.

“Isso é muito complicado... abrindo a possibilidade para um candidato não político”, disse o presidente da CNT.

“É uma situação muito crítica, até desastrosa no sentido político eleitoral.”

A pesquisa foi realizada de 13 a 16 de setembro, em 137 municípios, com 2.002 pessoas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais

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 Ministros tucanos avisam a Temer que, se um sair, todos sairão

 

19/09/2017
Cristiana Lôbo
G1

Os três ministros políticos do PSDB encontraram uma fórmula para resistir nos cargos, apesar da pressão de outros aliados pelos postos que ocupam. Antonio Imbassay (Secretaria de Governo), Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) avisaram ao presidente Michel Temer que, se um sair, todos sairão.

Como Temer não quer o partido longe de seu governo, vai pensar duas vezes antes de fazer mudanças na equipe que envolvam as pastas da articulação política, das Cidades e das Relações Exteriores.

Há, ainda, um outro fator que protege os tucanos da pressão dos aliados, especialmente do "Centrão", pela vaga ocupada por Antonio Imbassay na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional: o xingamento feito ao tucano pelo vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Em público, o deputado Fabinho lançou palavrões contra Imbassay, que preferiu não reagir.

"Se tirar o Imbassay agora, a todo dia um ministro será xingado no salão verde da Câmara", disse um aliado de Temer.

Os três ministros tucanos não querem sair de seus cargos. Eles já resistiram ao movimento do próprio PSDB que discutiu a saída do governo.

Eles abriram divergência interna e conseguiram a maioria da bancada na Câmara, por um voto. Agora, menos ainda querem deixar os postos. Pelo desejo deles, ficam no governo até abril do ano que vem, quando terão de se desincompatibilizar para disputar as eleições de 2018.

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  China é o destino final de 31,4% das exportações totais do agronegócio até o mês de agosto

 

19/09/2017
Ana Cristina Dib
Comex do Brasil

De janeiro a agosto, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 65,433 bilhões, com uma alta de 8,3% em relação aos US$ 60,444 bilhões embarcados em igual período do ano passado e a China, com importações no montante de US$ 20,545 bilhões, foi o principal país de destino dos produtos agrícolas embarcados pelo Brasil para o exterior, valor correspondente a 31,4% de todas as exportações agrícolas brasileiras.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o crescimento das exportações para a China ocorreu, fundamentalmente, em virtude das exportações de soja em grão, que passaram de US$ 13,41 bilhões entre janeiro e agosto de 2016 (36,2 milhões de toneladas) para US$ 16,69 bilhões entre janeiro e agosto de 2017 (44,3 milhões de toneladas). Essa forte alta fez a soja em grão subir de 77,0% do valor das exportações à China entre janeiro e agosto de 2016 para 81,2% do valor exportado em igual período deste ano.

Para se ter uma ideia da importância que a China representa como mercado para o agronegócio brasileiro, basta lembrar que o segundo maior importador de produtos agrícolas brasileiros, os Estados Unidos, adquiriram mercadorias no total de US$ 4,296 bilhões, equivalentes a uma fatia de apenas 6,6% do total embarcado pelo Brasil para o exterior nos oito primeiros meses deste ano.

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  Bovespa cai após recordes recentes, de olho em política

19/09/2017
G1

 

Na véspera, o Ibovespa avançou 0,31%, a 75.990 pontos, 5º recorde de fechamento nas últimas 6 sessões.

O principal índice da bolsa paulista opera em queda nesta terça-feira (19), mas ainda acima de 75 mil pontos, com investidores evitando grandes apostas após os ganhos recentes que levaram a máximas recordes, e de olho na cena política.

Às 15h50, o Ibovespa caía 0,06%, a 75.941 pontos. Veja a cotação hoje.

As ações da JBS passaram a cair, revertendo os ganhos registrados mais cedo, após recuar na véspera 3,95%, a R$ 8,50 o papel, com a decisão do conselho de administração da maior processadora de carne do mundo de escolher José Batista Sobrinho como presidente-executivo, no lugar do seu filho Wesley, preso em investigação de insider trading (uso indevido de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro), e em meio a disputa travada entre o BNDES e a família Batista.

A Vale estava entre as principais pressões negativas, seguindo o movimento dos contratos futuros do minério de ferro na China. Usiminas, CSN e Gerdau também se destacavam entre as perdas do dia.

Entre os papéis com peso importante na composição do índice, Bradesco e Itaú Unibanco caíam. A Petrobras reverteu os ganhos e também recuava, conforme as cotações do petróleo no mercado internacional também invertiam o sinal para o negativo, segundo a Reuters.

Política e cenário externo

Segundo a Reuters, embora o noticiário político esteja mais tranquilo nesta sessão, participantes do mercado esperam para quarta-feira a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a mais recente denúncia contra o presidente Michel Temer, o que alimentava um sentimento de cautela.

A agência ainda destaca que investidores também evitavam grandes movimentos antes da decisão de política monetária do banco central dos Estados Unidos, na quarta-feira. A expectativa predominante é pela manutenção dos juros, mas com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) anunciar os planos para diminuição de seu balanço.

"É esperado o início da redução de seu balanço patrimonial e a janela de alta de juros para dezembro deve permanecer aberta", escreveram analistas da corretora Lerosa Investimentos, acrescentando, no entanto, que não há indicação de que a inflação vai amparar este movimento.

Na véspera, o Ibovespa avançou 0,31%, a 75.990 pontos. Na máxima do dia, o índice subiu a 76.403 pontos, novo recorde intradia. O principal índice da bolsa renovou sua máxima histórica - foi o 5º recorde de fechamento nas últimas 6 sessões.

Segundo a Reuters, a alta foi sustentada pelo cenário externo favorável a ativos de risco diante do alívio de investidores com o quadro político interno brasileiro.

Com a alta de segunda-feira, o Ibovespa acumula alta de 26,17% no ano.

Segundo a provedora de informações financeiras Economatica, os valor de mercado das empresas com ações negociadas na B3 superou pela primeira vez os R$ 3 trilhões.



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