DIA 18 DE MAIO DE 2012


POLÍTICA E ELEIÇÕES

1. Tucanos estarão com ACM Neto em Salvador

2. PSDB e DEM selam aliança em SP e Salvador

3. Pimentel viajou em avião de empresário

4. Jobim critica submissão do PMDB ao governo

5. De Vaccarezza para Cabral: 'Você é nosso'

6. Dilma será indenizada pelo governo do Rio

7. Petistas reagem à política de alianças

8. Discurso resgata PT para a História


ABAIXO, A ÍNTEGRA DAS MATÉRIAS:


Tucanos estarão com ACM Neto em Salvador

 

Valor Econômico  - 18/05/2012


Em troca do apoio do DEM ao PSDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo, os tucanos devem anunciar hoje, em Salvador, a retirada da pré-candidatura do ex-prefeito e deputado federal Antônio Imbassahy e o acordo em torno da pré-candidatura do deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto (DEM).

O DEM deve oferecer ao PSDB a vaga de vice na chapa. "Estamos negociando ainda, mas é possível que isso aconteça", disse ontem ACM Neto, em São Paulo.

Segundo o pré-candidato do DEM, o acordo foi costurado no PSDB com o deputado federal Jutahy Junior (BA), ligado a Serra, e com o presidente do diretório baiano, Sérgio Passos. "Não poderíamos cometer o erro da eleição de 2008, quando marchamos separados", afirmou ACM Neto. "Em 2008, nenhum dos dois foi para o segundo turno. Agora, juntos, temos condições de ganhar a eleição e o PSDB tem essa consciência".

Ao participar de evento para formalizar acordo com o PSDB em São Paulo, o presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), afirmou que os dois partidos têm de disputar juntos nas capitais. "Se o projeto é de oposição, não dá para os dois partidos terem dois candidatos onde temos chance real de ganhar eleição", declarou. "A boa prática política manda o entendimento", disse.

Irritado com a decisão, Imbassahy não vai participar do encontro entre dirigentes do PSDB e do DEM, marcado para hoje, para anunciar o acordo. O pré-candidato tucano não quis se pronunciar e, segundo sua assessoria, só deve se manifestar na segunda-feira.

Imbassahy vislumbrava uma negociação com o PMDB, que lançou como pré-candidato o radialista e ex-prefeito Mário Kertész, para não ter de apoiar o DEM na disputa municipal. O deputado federal e ex-prefeito foi filiado ao então PFL, atual DEM, e rompeu com o "carlismo", o grupo político do falecido Antonio Carlos Magalhães, e migrou para o PSDB. (CA)

Um dos responsáveis pelo acordo, Jutahy Jr. disse que em abril o PSDB avisou a Imbassahy que sua pré-candidatura só seria mantida se ele tivesse apoio do PMDB até 03 de maio. "Como isso não aconteceu, vamos apoiar o DEM", disse.

 

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PSDB e DEM selam aliança em SP e Salvador

O Globo - 18/05/2012



Partidos apoiarão candidaturas de Serra e ACM Neto; Guerra defende nome de Aécio para a Presidência em 2014


SÃO PAULO e BELO HORIZONTE . O PSDB e o DEM anunciaram ontem a formação de aliança para as sucessões às prefeituras de São Paulo e Salvador, em acordos que tiveram como principal fiador o governador Geraldo Alckmin. Em cerimônia na capital paulista ontem, o DEM sacramentou apoio à candidatura do ex-governador José Serra e informou que o PSDB irá hoje dar aval à candidatura do deputado federal ACM Neto à prefeitura de Salvador. O DEM exigia como condição para acordo em São Paulo a desistência da pré-candidatura, em Salvador, do deputado federal Antonio Imbassahy, do PSDB. Em março, o DEM ameaçou lançar candidatura própria em São Paulo se não se resolvesse o impasse em Salvador, o que foi feito após a interferência de Alckmin.

O presidente do DEM, José Agripino Maia, ressaltou a importância da aliança com o PSDB para fortalecer o "espaço da oposição" no Brasil e cobrou do aliado histórico apoio em capitais como Macapá, Fortaleza, Recife e Aracaju. Em troca, o DEM pretende apoiar o PSDB em Curitiba, Belém, Teresina e Natal. Agripino criticou a atuação do PT no governo federal e disse que a "virada do Brasil" passa pela vitória de Serra em São Paulo. Além do DEM, o pré-candidato do PSDB arregimentou apoios de PV e PSD e deve fechar, nas próximas semanas, acordo com o PP. Os tucanos têm expectativa ainda de aliança com PTB e PPS.

- Esta é a primeira de uma série de alianças que temos o dever de estabelecer em nome da coerência, a aliança das oposições. Nosso espaço é um só, o das oposições. Onde o PSDB for mais forte, o DEM vai apoiá-lo; onde o DEM for mais forte, espera o apoio do PSDB. Assim precisa ser, para que quem ganhe defenda princípios éticos. Temos de virar a página de um Brasil não competitivo e a virada do Brasil passa pela vitória de Serra em São Paulo - disse Agripino.

Serra acha que o acordo com o DEM é estratégico:

- Sou a favor de parcerias com o DEM. Estamos nos unindo, temos quatro partidos, e vamos ampliar o nosso atual arco de alianças. Vamos vencer juntos e governar juntos. Temos que somar nesta campanha, já disse isso. Todos serão agora amigos desde criancinha .

Guerra : Aécio é

candidato real ao Planalto

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, representou na cerimônia o PSD, sigla dissidente do DEM que já manifestou apoio a Serra no último sábado. Dirigentes do DEM defenderam que o PSD não tenha direito ao Fundo Partidário ou a tempo de televisão nas eleições municipais deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pretende retomar o julgamento sobre a questão na próxima semana.

Em Minas, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que o senador Aécio Neves (PSDB) é, hoje, o pré-candidato "real" do partido à Presidência em 2014. O presidente do PSDB negou que a candidatura de Serra à prefeitura de São Paulo o retire da corrida pelo Planalto, mas afirmou que há um "sentimento muito forte" na legenda em defesa da candidatura de Aécio.

Questionado sobre a existência de crítica interna no partido de que Aécio não tem tido atuação forte no Senado, Guerra disse que o PSDB não espera que o mineiro seja o "campeão da oposição", mas deu um "puxão de orelha":

- A gente não reclama da postura dele no Senado, porque é excelente senador. É que ele anda menos do que gostaríamos. A gente quer que ele ande mais Brasil afora


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Pimentel viajou em avião de empresário

O Globo - 18/05/2012


João Dória Júnior pagou aeronave para levar ministro, que participou de seminário



BRASÍLIA e SÃO PAULO. A Comissão de Ética Pública da Presidência deverá analisar, na próxima reunião, mais uma denúncia contra o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Desta vez, a acusação envolve o uso de avião fretado pelo empresário João Dória Júnior, em outubro do ano passado, numa viagem entre a Bulgária, onde Pimentel integrava a comitiva da presidente Dilma Rousseff, e a Itália, quando se reuniu com empresários brasileiros e italianos, segundo informações do site Terra Magazine. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), anunciou ontem que entrará ainda hoje com uma representação contra o ministro, na Comissão de Ética.

No fim da tarde de ontem, o empresário informou ao GLOBO ter fretado um avião para que o ministro participasse do evento promovido por ele com empresários brasileiros e italianos. Mais cedo, João Dória havia negado ao portal Terra ter realizado o fretamento, informando que "governantes não viajam com despesas pagas pelo evento, cada um assume sua própria despesa". A assessoria atribuiu a mudança de posição do empresário ao fato dele não ter se informado com a equipe de produção do evento sobre a forma de transporte de Pimentel. Disse também que não informaria o valor pago pelo frete e que João Dória estava em reunião, por isso não daria entrevista sobre o assunto.

O Código de Conduta da Alta Administração Federal, ao qual todos os ministros estão submetidos, proíbe que as autoridades do governo federal recebam salários, transporte, hospedagem ou qualquer favor do setor privado, para evitar situações que possam gerar dúvidas sobre sua probidade e honorabilidade. A assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) disse que a resposta de Pimentel era a dada ao Terra Magazine, que publicou a denúncia.

- Saí da comitiva da presidente e fui mesmo para Roma, mas não fui em avião oficial porque o compromisso não fazia parte da agenda da presidente. Não tinha como ir de avião oficial. Ele (João Dória Júnior) mandou um avião e eu usei a aeronave que ele colocou para mim naquele momento - disse Pimentel.

Ministro recebeu

R$ 5,2 mil em diárias

Na viagem, de 1 a 9 de outubro de 2011, Pimentel integrou a comitiva da presidente na Bélgica e Bulgária, depois seguiu para a Itália, onde se reuniu com o embaixador do Brasil em Roma, José Viegas, e fez palestra a empresários no Seminário Bilateral Itália/Brasil, sobre as relações econômicas e a integração entre os dois países. O grupo Lide, presidido por João Dória Júnior, emitiu nota no fim da noite dizendo que fretou o voo porque o ministro estava sem acesso a avião comercial em tempo para comparecer ao evento.

Ele recebeu R$ 5.284,11 de diárias, segundo dados do Portal da Transparência, administrado pela Controladoria Geral da União (CGU).

Antes de embarcar para o Paraná, Bueno deixou a assessoria do PPS orientada a preparar a representação à Comissão de Ética. A próxima reunião do colegiado está marcada para o dia 6 de junho.

- Mais uma vez o Pimentel deve explicações à Nação, mas o governo está blindando o seu ministro. Ele tem de explicar não só as suas lucrativas consultorias como esta viagem. Não sei quantas denúncias serão necessárias para que o governo, numa atitude republicana, afaste o ministro e lhe dê condições de se defender - argumentou o líder do PPS.

Em fevereiro deste ano, a Comissão de Ética decidiu analisar o trabalho de consultoria realizado por Pimentel entre 2009 e 2010, acatando a denúncia feita pelo PSDB, com base em reportagens do GLOBO, publicadas em dezembro do ano passado. O conselheiro Fábio Coutinho foi designado relator do caso, que deverá ser julgado na próxima reunião. Pimentel mandou explicações por escrito à comissão, mas o relator pediu novos esclarecimentos, enviados na última sexta-feira ao colegiado.

Depois de sair da prefeitura de Belo Horizonte e antes de entrar no governo Dilma, Pimentel faturou R$ 2 milhões em serviços de consultoria, metade paga pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), para assessoria na elaboração de projetos na área tributária e palestras nas dez regionais da entidade. As palestras nunca ocorreram.

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Jobim critica submissão do PMDB ao governo

Valor Econômico - 18/05/2012


Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Defesa da gestão de Dilma Rousseff, Nelson Jobim transformou palestra em evento nacional do PMDB em duro discurso contra a direção do partido e com críticas à relação submissa da legenda com o governo federal. Afirmou que o PMDB tornou-se "homologador" de decisões das quais não participou. "A sobrevivência do PMDB está dependendo de termos cara e voz. É o momento de termos cara e voz. Quem não tem curva-se. E quem se curva leva um pontapé", disse.

O vice-presidente da República, Michel Temer, presidente licenciado do partido, respondeu às críticas, visivelmente irritado. "Nossa desunião vai significar sempre a vitória dos que disputam conosco. Temos que ter nossa unidade. O PMDB é extremamente tolerante com suas diferenças." Temer fez a maior parte do discurso de costas para Jobim.

O ex-ministro foi aplaudido por parte da plateia, mas provocou constrangimento e irritação entre as principais lideranças pemedebistas. "Ele exagerou na crítica, que foi injusta com o PMDB", disse o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "Mas ele tem uma posição que compreendo, porque não votou na presidente Dilma nem no Michel. Ele votou em José Serra", afirmou o líder.

O evento, realizado em Brasília, foi o II Fórum Nacional "O PMDB e as Eleições Municipais 2012". A palestra de Jobim era sobre "Os municípios e o pacto federativo". O ex-ministro coordena uma comissão criada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - ausente ao fórum-, para discutir e apresentar propostas às questões federativas em discussão no Congresso.

Jobim surpreendeu pela contundência, ao afirmar que o PMDB não discute nem tem posição sobre importantes questões federativas em discussão. Citou vários exemplos, como a guerra fiscal do ICMS, a mudança do indexador das dívidas dos Estados, a repartição dos royalties do petróleo e a exigência feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de aprovação, pelo Congresso, de uma lei com novo critério de rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) até 31 de dezembro de 2012.

"Não temos posição. Porque não temos opinião, Michel, nos tornamos homologadores. Nos cobram lealdade de posições das que não participamos", disse. Olhando para cada dirigente sentado à mesa, Jobim disse a Temer, ao presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), aos líderes do partido na Câmara e no Senado, Renan Calheiros (AL), que cabe a eles dar as soluções. De forma indireta, defendeu candidatura própria à Presidência. "Ter posição é correr riscos. E desde 89, o PMDB não quer correr riscos", afirmou. Em 1989, o PMDB lançou a candidatura de Ulysses Guimarães a presidente. Foi a última vez.

Enquanto Jobim falava, lideranças sentadas à mesa mostravam desconforto. Temer falou em seguida, adotando tom bem mais enfático que o habitual. "As divergências internas é que fizeram o PMDB crescer", começou, dizendo ser natural os integrantes "falarem mal do PMDB internamente" - o que não era o caso. Lembrou que em 2006, o PMDB tinha dois pré-candidatos a presidente, mas governadores e ministros decidiram não lançar candidatura própria, por causa da regra da verticalização, que dificultaria alianças estaduais.

Temer afirmou que não se pode negar as qualificações políticas do PMDB, que, segundo ele tem programas e projetos. Citou como bandeiras do PMDB o Funpresp e o Código Florestal. Disse que o partido sempre foi municipalista e, concordando com Jobim, disse que o partido deveria transformar a questão federativa em bandeira, especialmente a definição de nova regra para o FPE.

Sobre candidatura própria, disse que "a matéria não está vedada", mas apontou, como prioridades, a eleição de um maior número de prefeitos e, em 2013, "ter o controle das duas Casas do Congresso". O vice condenou a desunião do PMDB.

Raupp tentou mostrar naturalidade. "Ele tem essa linha mesmo. Sempre nas reuniões fala que o partido precisa se comunicar mais e ter mais bandeiras. Foi um pouco duro no final. Mas a gente tem que entender como crítica construtiva", afirmou. Para Henrique Alves, Jobim demonstrou estar "mal informado" sobre o andamento das propostas relativas ao pacto federativo, que estão tramitando com participação importante do PMDB.


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De Vaccarezza para Cabral: 'Você é nosso'

O Globo - 18/05/2012



BRASÍLIA. O ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi flagrado ontem trocando mensagens de texto com o governador do Rio, Sérgio Cabral. Na conversa, o deputado promete que o PT vai assegurar a proteção do governador na CPMI do Cachoeira. Em imagem exibida à noite no "Jornal do SBT", Vaccarezza envia torpedo dizendo que Cabral não precisava se preocupar, apesar das arestas entre seus partidos: "A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu (sic)".

Vaccarezza foi o principal defensor de que o requerimento que determinava a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico da construtora Delta se ativesse às subsidiárias dela no Centro-Oeste. A oposição queria que os sigilos da matriz, no Rio, e das subsidiárias de outros estados também fossem quebrados.

- Não estamos fazendo devassa, mas muitos aqui querem devassa. A CPI não pode se transformar numa casa de espetáculos ou de devassa - criticou. - Se tiver superfaturamento em uma obra ou outra, não é competência desta CPI.

Vaccarezza sentou-se entre os deputados fluminenses Leonardo Picciani (PMDB) e Filipe Pereira (PSC) - aliados de Cabral. Procurado depois da revelação da troca de mensagens, Vaccarezza não foi encontrado. A assessoria de Cabral informou que ele não se pronunciaria.


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Dilma será indenizada pelo governo do Rio

O Globo - 18/05/2012



Presidente e outras 244 pessoas pediram reparação e receberão R$ 20 mil por terem sido torturadas no estado

A presidente Dilma Rousseff receberá do governo do Rio, até o fim de junho, uma indenização de R$ 20 mil por ter sido interrogada e torturada no estado durante a ditadura militar. A notícia foi publicada ontem na coluna "Informe do Dia". Dilma está na lista com outras 244 pessoas que serão beneficiadas até 2013. Das 1.113 vítimas do regime ou herdeiros que entraram com pedidos de reparação, 895 tiveram os processos aprovados pela comissão especial criada para analisar os casos, e 650 já foram indenizadas.

O requerimento foi feito por Dilma em 2004. Além do Rio, a presidente também pediu reparação em São Paulo e em Minas Gerais, estados onde foi interrogada, processada, julgada e condenada. Dilma fez parte da luta armada contra a ditadura na organização VAR-Palmares. Em 16 de janeiro de 1970, ela foi presa por subversão. Foi brutalmente torturada, submetida a choques e pau de arara. Acabou condenada a quatro anos de prisão.

- Trata-se de um reconhecimento daqueles que lutaram pela democracia. O dinheiro não resolve. O importante é o reconhecimento do Estado. Não podemos esquecer o passado - afirmou Andrea Sepúlveda, superintendente de Defesa e de Promoção de Direitos Humanos.

O secretário estadual de Assistência Social, Rodrigo Neves, disse ontem que Dilma doará o dinheiro. A assessoria de imprensa do Planalto, no entanto, não confirmou a informação.

O pedido de desculpas oficial do governo do Rio às vítimas da ditadura ocorrerá em 4 de junho, às 16h, no estádio Caio Martins, em Niterói, na Região Metropolitana. Dilma não confirmou presença.

Anteontem, numa cerimônia histórica, em Brasília, que reuniu os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Melo e José Sarney, Dilma instalou a Comissão da Verdade. O órgão foi criado para apurar violações aos direitos humanos de 1946 a 1988. No discurso, a presidente chorou e destacou que a iniciativa é um esforço do Estado para revelar a História recente do país.


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Petistas reagem à política de alianças

Valor Econômico - 18/05/2012


Panfletos, e-mails, vídeos, conversas com integrantes do diretório nacional. Pré-candidatos a prefeito do PT atingidos pela decisão da legenda de ceder a cabeça de chapa em favor de aliados federais, em especial o PSB, reclamavam e se mobilizavam ontem, último dia do seminário de formação do partido para as eleições municipais, para barrar o que parece inevitável. Na reunião da cúpula petista que ocorre hoje, também na capital gaúcha, o diretório nacional deve aprovar a resolução que confere ao comando central do partido a prerrogativa de homologar as candidaturas do PT nos municípios com mais de 200 mil eleitores.

A medida é a forma encontrada pelo PT nacional de se antecipar e evitar intervenções em diretórios municipais que se recusam a servir de moeda de troca de uma negociação mais ampla, iniciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. O confronto entre os objetivos nacionais e locais aflorou.

"O problema é nacionalizar a eleição municipal. Será que é preciso dar algo em troca? As pessoas que negociam de fora não têm compromisso com a cidade", criticava a pré-candidata de Duque de Caxias (RJ), Dalva Lazaroni, que produziu panfleto e distribuiu carta para sensibilizar correligionários presentes no seminário.

No panfleto, Dalva mostra pesquisa do Instituto Mapear em que o PT é apontado como o partido preferido na cidade por 51,4% dos entrevistados e segundo a qual 24,3% votariam ou tenderiam a votar em um candidato do PT.

"Estamos tentando mobilizar integrantes do diretório nacional, por e-mail, vídeo, enviando cartinha para os convencionais. Outras pessoas já compraram nossa briga. Espero que o senso de justiça prevaleça e a resolução não seja aprovada", dizia, confiante, Dalva Lazaroni, afirmando que Duque de Caxias não é uma cidade qualquer, por ser o 15º PIB municipal do país e segunda maior arrecadação do Estado do Rio, além de ter mais de 600 mil eleitores.

A petista lembra que Caxias tem uma cadeia completa de produção da Petrobras, liderada pela Reduque, a refinaria da estatal, e diz achar estranho que o maior interesse nas negociações se dê em torno de cidades em que o petróleo é base da economia, como Mossoró (RN).

O apoio do PT em Duque de Caxias e Mossoró, bem como em outros municípios do país, foi posto há dois meses por Eduardo Campos como condição para que o PSB participe da chapa do ex-ministro Fernando Haddad em São Paulo.

Ex-presidente do diretório municipal de Mossoró e candidato a vice-prefeito em 2008, Tércio Pereira estava mais desanimado com a possibilidade de não aprovação da resolução hoje pelo diretório nacional. Ele defende a candidatura do reitor da Universidade Federal do Semiárido (Ufersa), Josivan Barbosa, contra a coligação com a deputada estadual Larissa Rosado (PSB).

"É muito traumático. Se sair a resolução e o comando nacional não homologar a candidatura, o partido vai ficar esbagaçado. Será a maior decepção na minha vida política. Fui fundador do PT em 1980 e nunca vi isso", disse.

Pereira lembra que o partido tem passado por muitas transformações e esta é mais uma delas Para ele, não é apenas São Paulo e Haddad, uma aposta de Lula, que estão em jogo. Ele conta que na visita de convencimento que fez ao Rio Grande do Norte, o secretário nacional de organização da legenda, Paulo Frateschi, argumentou que o PT já contava com o apoio do PSB em mais de 30 cidades, entre as 118 com mais de 150 mil eleitores, e só tinha dado contrapartida aos pessebistas em apenas três.

"Mas passamos por todo o processo e calendário estabelecido pelo partido. A tese de candidatura própria venceu no encontro de tática. Pensávamos que já estava resolvido. E veio essa exigência do PSB. É uma chantagem boba e acho que a direção nacional vai ceder a ela", afirmou Pereira, que foi vice na chapa encabeçada por Larissa, em 2008.

"A situação agora mudou. Temos candidato forte, que é o reitor. A população quer mudança e o PT tem como capitalizar. Há sinais claro de cansaço na oligarquia que domina a cidade há mais de 60 anos", acrescenta.

Há décadas, Mossoró é um reduto da família Rosado. Larissa é filha da deputada federal Sandra Rosado, líder do PSB na Câmara. Elas fazem oposição a outra ala da mesma família, que tem hoje como expoente a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que foi prefeita da cidade por três mandatos.

"A família consegue ser três coisas ao mesmo tempo: situação, oposição e alternativa", ironiza o petista. Outro fator simbólico que move a disputa entre PT e o PSB em Mossoró é a possibilidade de vencer o único município entre os 118 maiores ainda governado pelo DEM.

Se por um lado, o PT nacional tem feito de tudo para atender o PSB, seu outro aliado, o PCdoB, teve seu pedido negado. Ontem, o presidente petista, Rui Falcão, afirmou na capital gaúcha, ter sido procurado pela manhã pelo presidente nacional da sigla comunista, Renato Rabello, para que o partido desista de concorrer em Porto Alegre, onde sua deputada federal, Manuela D"Ávila, figura em segundo lugar nas pesquisas. O pré-candidato do PT é o deputado estadual Adão Villaverde. Falcão consultou o presidente do diretório estadual, Raul Pont, que recusou abrir mão de nome próprio, e voltou a falar com Rabello, lamentando não poder ajudar. "Se grande parte do PT de Porto Alegre definiu pela candidatura própria é porque tem expectativa de eleger o candidato", disse Rui Falcão.


 


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Discurso resgata PT para a História

O Globo - 18/05/2012



Os 27 anos ininterruptos em que o Brasil se mantém na democracia, o mais longo período desde a proclamação da República, longe de serem uma linha reta em ascensão, têm sido um trajeto de percalços, de altos e baixos. Nenhuma novidade, porque os processos históricos são assim mesmo, nada lineares. Importa que a tendência seja positiva - e é este o caso. Em todo este tempo, houve fatos marcantes, emblemáticos do avanço da sociedade no autoaprendizado na vida democrática, no exercício do convívio tolerante com ideias contrárias, na subordinação ao voto popular, no respeito às instituições.

O dia 16 de maio de 2012 contribui para esta já longa viagem com um destes fatos carregados de simbologia. A presidente Dilma Rousseff poderia dar posse à Comissão da Verdade numa cerimônia com a pompa merecida. Teria seguido o manual dos cerimonialistas. Mas optou por algo mais, e terminou revestindo o evento de uma importância para além da própria comissão.

O discurso da presidente foi à altura da cerimônia, da qual participaram, convidados por ela, todos os ex-presidentes vivos. Os registros em foto e vídeo de Sarney, Collor, FH e Lula, juntos, servem de testemunho de que o Brasil subiu um patamar na sedimentação da maturidade política e do regime democrático. Até agora, nas Américas, apenas os Estados Unidos podiam ostentar, em eventos, seus ex-presidentes, lado a lado, adversários ou não. Aconteceu quarta-feira em Brasília.

A presença dos quatro e as citações cerimoniosas e adequadas a Tancredo Neves, Itamar Franco e ao próprio Ulysses Guimarães, o "Senhor Diretas", ajudaram a destacar o sentido da solenidade: tratava-se de um ato de Estado, não de governo, ressaltou Dilma no discurso, de traje escuro, sem qualquer peça vermelha.

Além de enquadrar o trabalho da Comissão da Verdade na sua melhor dimensão - sem revanchismos -, as referências feitas por Dilma ao contexto que cerca o início do trabalho de exumação de uma fase tenebrosa do país podem ser entendidas como uma reconciliação do seu partido, o PT, com a História. Afinal, o PT se recusou a votar em Tancredo Neves no colégio eleitoral - puniu petistas que o fizeram - e, num primeiro momento, a assinar a Constituição de 1988. Também não quis participar do governo Itamar, vice de Collor, formado num momento grave em que o impeachment fez ressurgir o temor de mais um curto-circuito institucional. Foi como se o PT rejeitasse a via da negociação e do entendimento políticos para a superação de impasses. O discurso de Dilma reafirma a vertente democrática petista. Confirmam-se, então, como minoritárias as vozes autoritárias dentro da legenda.

A comparação não é perfeita, pelas diferenças históricas, mas, quarta, o Brasil de Dilma lembrou a África do Sul de Nelson Mandela, vítima do regime do apartheid e que soube patrocinar uma transição sem traumas e acertos de contas revanchistas. Na verdade, o Brasil está em estágio de conciliação bem à frente daquele em que se encontrava a África do Sul quando Mandela saiu da prisão para assumir a transição de uma ditadura racista para um regime democrático. A Comissão da Verdade precisa ser o estágio final desta conciliação, consagrada no discurso da presidente.

 





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